Entrevista | Banda jonabug detalha o EP “torpor”, a parceria com a Cidade Dormitório e o impacto do produtor Roberto Kramer

A banda jonabug acaba de lançar o EP torpor pelo selo +um HITS, registrando uma fase de amadurecimento após a estreia com o álbum Três tigres tristes (2025). Gravado em São Paulo no estúdio Rockambole e produzido por Roberto Kramer (que assina trabalhos com nomes como Terno Rei e gorduratrans), o projeto traduz em som o momento de transformações pessoais e profissionais vivenciado pelos integrantes.

Com influências que passeiam pelo shoegaze, alt-rock e indie nacional — como Hum, Lush, My Bloody Valentine e Ludovic —, o trabalho ganha corpo a partir de uma metáfora biológica. A ideia do “torpor”, entendido como um estado de desaceleração e economia de energia para a sobrevivência, surge nas composições como uma resposta catártica às mudanças doloridas e intensas da vida adulta.

O EP conta com quatro faixas e traz momentos marcantes: a faixa de abertura “rascunho” (lançada como single antecipado), a participação especial da banda sergipana Cidade Dormitório na música “entre o certo e o errado”, e a inclusão oficial do guitarrista Thales Leite no processo de composição ao lado de Marília Jonas (vocal/guitarra), Dennis Felipe (baixo) e Samuel Berardo (bateria).

Em entrevista, a jonabug conta como a palavra “torpor” acabou definindo o sentimento do grupo ao ouvir o material pronto e reflete sobre o amadurecimento vindo das turnês e da vivência de palco. A banda fala sobre a expansão dos arranjos com duas guitarras após a entrada de Thales, resgata a amizade com a Cidade Dormitório que culminou na colaboração do EP, elogia o ambiente inspirador do estúdio Rockambole sob a produção de Kramer e compartilha as faixas que não saem de suas playlists.

Confira a entrevista na íntegra:

O EP se apoia no conceito biológico do torpor, essa desaceleração e economia de energia, para traduzir transformações da vida. Como foi transformar essa metáfora de sobrevivência em uma resposta catártica através da música?

Acho que na verdade, essa metáfora se agarrou ao que sentimos quando tocamos essas músicas. O nome do EP surgiu por último, e no processo de ouvir as músicas prontas e tentar decifrar o conceito que poderíamos criar com base nessas músicas nos guiou até a palavra “torpor”. Foi uma forma de rotular e por dentro de uma caixa tudo que estávamos sentindo ao compor e de identificar o momento que a banda se encontra.

Esse trabalho marca a transição após o álbum de estreia Três tigres tristes (2025). O que mudou na dinâmica do grupo e na bagagem de vocês que fez a sonoridade e a composição amadurecerem para este momento?

Tudo. Estamos numa fase onde precisamos lidar com novas responsabilidades, novas cobranças, definitivamente a experiência de tocar em várias cidades, conhecer artistas diferentes e até mesmo aprender com eles, como cada artista se porta, se apresenta, se expõe é essencial para nossa própria evolução e buscar novas referências em shows ao vivo é mágico, a música ganha vida. Além disso a experiência dentro de um estúdio também contribuiu muito, tivemos uma baita ajuda do Roberto Kramer, que foi quem produziu, mixou e masterizou esse EP, e que com certeza teve uma forte influência no resultado final.

Foto: Giulia Geyer

O EP é a estreia do Thales Leite participando diretamente do processo de composição com a banda. Como a chegada dele influenciou a criação dos arranjos e as ideias para este projeto?

A entrada do Thales na banda mudou um pouco nossa dinâmica de composição do instrumental, já que antes éramos um trio, e ele trouxe sua própria bagagem e referências que ajudaram a criar a atmosfera das músicas. Além disso, o processo de composição com a banda inteira é diferente, agora precisamos nos entender melhor dentro da música, entender o que cada um deve fazer e tomar decisões juntos pra música fluir ainda melhor. Mas foi uma entrada bem especial pra banda e abre um leque de possibilidades ter duas guitarras rolando, principalmente pro ao vivo.

A sonoridade do EP passeia por influências potentes de shoegaze, alt-rock e do indierock brasileiro, incluindo a parceria com a Cidade Dormitório em entre o certo e o errado. Como surgiu essa colaboração e como foi unir esses dois universos?

Quando a Marília (vocalista) enviou um esboço dessa música no grupo da banda todos comentaram sobre como era visível a influência da Cidade Dormitório dentro desta música e surgiu a ideia de chamá-los para essa colaboração. Nos conhecemos em 2025 no Camaleão Cultural em Curitiba e desde então somos amigos. Fizemos uma turnê pelo sul do país em 2026, o que nos aproximou ainda mais e conseguimos trabalhar um pouco na música juntos. Eles são muito queridos, sempre fomos muito fãs, ouvimos desde a adolescência, então pra nós foi um sonho realizado.

Gravado no estúdio Rockambole sob produção de Roberto Kramer, qual foi a maior contribuição do produtor e do ambiente do estúdio na hora de moldar a atmosfera das faixas?

Foi um conjunto de coisas. Ao decorrer da gravação notamos que o Kramer tem muitas referências que conversam com o que a gente gosta, ele é uma pessoa bem paciente e gentil, então foi uma gravação leve e proveitosa, e é super importante você se sentir confortável em uma gravação porque é um material que vai perdurar pra sempre. Além disso, ele deu muitas ideias legais de camadas, de noises de guitarra, de dobra de vozes que ajudaram a atingir um resultado bacana. E a Rockambole é mágica né? É um lugar mega artístico, que te inspira, no último dia de gravação tinha uma banda passando som lá na parte do teatro e foi lindo, saímos de lá mais inspirados ainda, é um lugar que respira música o tempo todo, acho que isso contribui também.

O single rascunho abriu os caminhos para o lançamento. Por que escolheram essa faixa em específico para apresentar o conceito e o tom de torpor ao público?

Rascunho foi uma surpresa pra nós. Foi a última música a ser composta, quase não entra pro EP. Quando tocamos a primeira vez com a banda toda em estúdio e vimos as ideias se juntando e a música ganhando vida, foi um sentimento único. Vimos que ela tem potência, tem tensão, tem sentimento, tem melancolia e raiva e desconforto e mistério e, enfim, um monte de sentimentos misturados em uma música só, acho que ela retrata, sonoramente, o que tentamos transmitir com esse EP.

E para finalizar, sempre deixamos essa perguntinha: qual a #SuaSetlist favorita do momento? O que vocês mais tem escutado?

Vamos deixar uma listinha com nossas músicas do momento. 🙂

  • Marília Jonas: Voices – Saosin
  • Dennis Felipe: Rain When I Die – Alice In Chains
  • Samuel Berardo: Fool – bôa
  • Thales Leite: Da Art of Storytellin’ (pt.1) – Outkast

O que achou desta entrevista? Conheça também as histórias de outros artistas e aproveite para seguir o Sua Setlist no Instagram!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *