Entrevista | Gabi Topázio e Renato Mesquita lançam “Sold Out” e falam sobre independência, vulnerabilidade e indicações ao PJB 2026

Construir uma carreira independente na música significa transformar cada “não” recebido do mercado em matéria-prima para criar o próprio caminho. É exatamente desse impulso de coragem, autonomia e trabalho incansável que nasce “Sold Out”, novo single de Gabi Topázio e Renato Mesquita. Sem o respaldo de grandes gravadoras ou estruturas milionárias, o duo une forças em um projeto que reflete sobre o custo da superexposição, o medo de amar sem amarras e a urgência de viver o presente antes que o tempo passe.

Inspirada no dinamismo do K-pop — com viradas sonoras e visuais a cada 45 segundos — e na atitude da cena urbana argentina, a faixa funde pop urbano, funk e phonk sem perder a ginga brasileira. O resultado é uma sonoridade inquieta, pensada não apenas para as plataformas digitais, mas para palcos vibrantes e performances milimetricamente estudadas. Complementado por um videoclipe gravado nos bastidores reais da dupla, o lançamento chega para provar que a conexão direta e transparente com o público é capaz de atravessar qualquer barreira do mercado tradicional.

Celebrando a nova fase artística, a dupla também comemora as recentes indicações ao Prêmio Jovem Brasileiro 2026, onde Gabi concorre como Melhor Cantora e Renato como Melhor Cantor. Mais do que o prenúncio de uma extensa agenda de projetos e futuros álbuns individuais, “Sold Out” consolida uma parceria baseada na liberdade artística e na certeza de que o verdadeiro reconhecimento não vem de portas impostas pela indústria, mas do público que escolhe caminhar junto.

Como tem sido ver Sold Out já disponível em todos os apps de música? 

É uma sensação difícil de explicar, porque quando abrimos qualquer aplicativo de música e encontro o nosso nome ali, eu não vejo só uma música disponível. Vemos tudo o que existe por trás dela. Eu vejo todos os “nãos”. Vejo as portas que não se abriram, as pessoas que não acreditaram, as vezes em que o mercado praticamente disse que talvez não existisse espaço para mim. Que deveríamos fazer Only fãs ou coisas do tipo. E, ao mesmo tempo, eu olho para o que está acontecendo agora e penso: talvez não precisássemos que alguém me desse esse espaço. Talvez eu precisasse construir o nosso.

Hoje nosso feat está disponível para o mundo sem existir uma grande gravadora por trás, sem um grande empresário conduzindo cada passo, sem uma estrutura milionária dizendo ao público que ele precisa me ouvir. Existem nossas duas marcas unindo-se, existe o trabalho, noites em claro e, principalmente, existem pessoas que escolheram acreditar em nós antes que o mercado acreditasse. São eles que compartilham, comentam, colocam a música nos vídeos, mandam para os amigos, adicionam nas playlists e fazem uma canção atravessar fronteiras que, sozinho, talvez sozinhos nunca conseguíssemos atravessar. E isso muda completamente o significado de cada número para gente. Porque não vemos apenas streams. Vemos família. Vejo alguém do outro lado do Brasil — ou até do outro lado do mundo — apertando o play em algo que nasceu aqui, de uma ideia, de um sonho, de uma insistência.

Talvez uma das coisas mais bonitas da internet seja justamente essa: durante muito tempo, para chegar ao mundo, um artista precisava primeiro ser escolhido por alguém. Hoje, o próprio público também pode fazer essa escolha. E estamos vivendo isso no presente. Enquanto algumas portas continuam fechadas, existem milhares de pequenas janelas se abrindo todos os dias através de uma tela. Por isso, não queremos transformar a rejeição em mágoa. Mas sim, transformá-la em combustível. Um “não” de alguém nunca pode ser maior do que o “sim” de quem realmente se conecta com a sua arte.

A música já chega com uma estética pop refinada e cheia de atitude. Quais foram as maiores referências para a construção desse novo conceito?

Quando a gente começa a construir “Sold Out”, existe uma pergunta muito presente: como pegar tudo o que nos fascina na música que está acontecendo no mundo e transformar isso em algo que tenha a nossa identidade? Uma das nossas maiores referências vem do K-pop, principalmente da maneira como eles pensam música e audiovisual praticamente como uma coisa só. Eu fico fascinada com clipes em que, a cada 30 ou 45 segundos, alguma coisa muda: muda o cenário, muda o figurino, muda a coreografia, muda a dinâmica da batida, entra um rap, acontece um dance break… É como se o espectador estivesse assistindo a vários capítulos dentro da mesma música. Isso conversa muito com a forma como eu enxergo o pop. Eu não quero que você apenas dê play e escute. Eu quero disputar a sua atenção a cada segundo.

Ao mesmo tempo, a gente olha muito para o que está acontecendo na música urbana da Argentina. Existe uma geração de artistas que vem do freestyle e leva essa liberdade para o reggaeton, para o trap e para o hip-hop. Eu gosto muito dessa sensação de ouvir alguém quase “brincando” com a batida: mudando o flow, acelerando uma frase, segurando outra, rimando de uma maneira inesperada.

E aí nasce uma provocação entre nós: por que não explorar essas habilidades em português? Não tentando fazer um K-pop brasileiro ou reproduzir o reggaeton argentino, mas absorvendo o que essas culturas têm de interessante e trazendo isso para o nosso território. Porque quando chega no Brasil, inevitavelmente entra outra coisa: a nossa ginga. Entra o funk, entra o corpo, entra a malícia, entra a dança, entra a maneira brasileira de colocar determinadas palavras dentro da batida. O português tem uma musicalidade completamente diferente do espanhol, e descobrir como fazer esses flows funcionarem na nossa língua vira parte da diversão. É justamente desse encontro que “Sold Out” começa a ganhar personalidade. Tem a estrutura audiovisual inquieta que nos encanta no K-pop, tem a liberdade de flow que admiramos no hip-hop e na cena urbana argentina, mas existe uma camada que só poderia vir daqui: a nossa brasilidade.

A estrutura do single lembra grupos como BTS e Blackpink. Qual é a relação de vocês com o K-pop e como esse gênero influencia a performance de palco de vocês?

Sim, estudamos muito esse mercado, porque a referência pode vir do mundo inteiro. A gente quer aprender com essas culturas, misturar habilidades, experimentar flows e estruturas que ainda são pouco explorados no pop em português e devolver tudo isso com a nossa própria ginga. No final, “Sold Out” representa muito do que queremos fazer daqui para frente: olhar para o mundo sem perder o sotaque.

Hoje, a gente já não pensa primeiro na música e depois decide como será o clipe. Enquanto estamos construindo o som, eu já estou imaginando a coreografia, os cortes, as trocas de universo, os figurinos e os momentos em que o audiovisual também precisa mudar junto com a batida.

Com isso, a performance de palco também acaba por se tornar diferente. Idols treinam a vida inteira não apenas em saber a coreografia, mas também focam em seus gestos, expressões faciais, world building. Então com certeza cada dia aprendemos cada vez mais a analisar nossas performances de palco. Assistimos as gravações feitas ao vivo e observamos quase como atletas de basquete assistem sua performance em uma partida para ver os pontos altos, baixos, conexão, quedas de energia, exageros. Tudo a fim de entregar mais qualidade a quem gosta da nossa arte. Aprendemos com os trainees e Idols do mercado de fora, mas quando passa pela gente, precisa sair com identidade brasileira.

Ambos estão indicados ao Prêmio Jovem Brasileiro 2026 como “Melhor Cantora” e “Melhor Cantor”. Como a conexão direta com os fãs nas redes contribuiu para esse reconhecimento?

Eu acredito que essa indicação ao Prêmio Jovem Brasileiro 2026 tem um significado ainda maior para nós justamente porque ela não começa no prêmio. Ela começa muito antes, na relação que construímos todos os dias com quem nos acompanha.

Eu e o Renato somos artistas que nascem e crescem muito próximos das redes sociais. A gente não aparece para o público somente quando existe um lançamento, um videoclipe ou alguma conquista para anunciar. As pessoas acompanham o processo. Elas veem os bastidores, os ensaios, as ideias dando certo, as que dão errado, os momentos de insegurança, as pequenas vitórias e tudo aquilo que existe antes de uma carreira parecer bonita quando vista de fora. E acho que isso cria uma relação diferente. Os nossos fãs não sentem que estão apenas assistindo à nossa história. Eles sentem que estão construindo essa história com a gente.

Quando chega uma indicação como a do PJB, isso fica ainda mais evidente, porque existe uma mobilização espontânea muito bonita. São fãs compartilhando, criando conteúdos, comentando, marcando outras pessoas, divulgando e dizendo: “Eu quero ver vocês lá.” E isso mexe muito comigo. Porque em uma carreira independente, muitas vezes a gente não tem uma máquina enorme dizendo ao público onde olhar. Então são as próprias pessoas que gostam do nosso trabalho que se transformam nessa força. É quase um caminho inverso: primeiro o público reconhece, depois esse movimento começa a chamar a atenção do mercado. Por isso eu não consigo olhar para essa indicação e pensar simplesmente: “eu fui indicada”. Eu penso: “nós chegamos até aqui.” Cada pessoa que compartilha uma música, comenta um vídeo, acompanha uma live, defende o nosso trabalho ou apresenta Gabi Topázio e Renato Mesquita para alguém novo está colocando um tijolinho nessa construção. E talvez essa seja uma das coisas mais bonitas da nossa geração de artistas: hoje existe a possibilidade de conversar diretamente com quem está do outro lado. Sem intermediários. Eu consigo ouvir o que os fãs estão dizendo, entender o que emociona, perceber o que eles querem ver e, principalmente, permitir que conheçam quem existe por trás do palco. Então, para mim, estar entre os indicados ao Prêmio Jovem Brasileiro 2026 é também uma confirmação de que conexão gera movimento. E movimento gera reconhecimento. O prêmio leva os nossos nomes, mas existe uma comunidade inteira caminhando junto com eles. Se hoje o mercado começa a olhar para nós, é porque durante muito tempo os nossos fãs já estavam olhando — e fazendo questão de chamar outras pessoas para olhar também.

A música fala sobre a necessidade de soltar quem amamos para que viva sem amarras. Esse recado veio de algum momento da vida pessoal de vocês?

Quando eu escrevo “Sold Out”, eu penso na Gabi, claro, mas percebo que estou escrevendo sobre uma coisa muito maior: o quanto amar alguém também significa aprender a soltá-la. Eu conheço muito cedo um lado da vida que eu gostaria que ela nunca precisasse conhecer. Eu perco meu pai quando tenho apenas 12 anos. Mais tarde, perco também a minha mãe, em decorrência da diabetes. No meio desse caminho, ainda muito novo, preciso enfrentar sozinho a obesidade mórbida, a depressão, a falência da minha família, traumas, bullying e situações em que preciso lidar com alegações e difamações de coisas que nunca fiz… Tudo isso me ensina a sobreviver. Mas também cria em mim um instinto muito forte de proteção. Quando você já conhece a crueldade que pode existir do outro lado de um sonho, você começa a olhar de uma maneira diferente para alguém que ama. E eu olho para a Gabi e vejo uma pessoa que, apesar de tudo, preserva uma coisa muito bonita: ela ainda acredita num mundo onde todo mundo tem orgulho de ser cético. Ela acredita nas pessoas, acredita nos sonhos, acredita que trabalhar muito pode mudar uma história. Existe nela uma pureza e uma bondade que eu tenho medo de ver o mundo machucar. E existe uma contradição muito grande nisso, porque eu também sei que ela nasceu para ser artista.

Quanto mais ela cresce, mais eu sei que ela vai atravessar uma fronteira onde a exposição aumenta. E, quando um artista começa a caminhar em direção ao mainstream, não chegam apenas os palcos maiores, os números, os fãs e as oportunidades. Chegam também os julgamentos. Comparações. As críticas. As pessoas que nunca conversaram com você, mas acreditam conhecer toda a sua história. As distorções, os ataques e todas as consequências de deixar de ser uma pessoa conhecida por poucos para se tornar uma figura pública. E eu já conheço parte desse mundo. Por muito tempo, acho que confundo proteger com impedir. O meu medo de que ela sofra aquilo que eu já sofri me paralisa algumas vezes. Porque existe uma parte de mim pensando: “Se eu conseguir mantê-la longe disso, talvez eu consiga poupá-la.”

Só que existe uma pergunta muito mais difícil: E se, tentando proteger alguém da possibilidade de sofrer, eu também estiver protegendo essa pessoa da possibilidade de viver o maior sonho da vida dela? A morte da minha mãe muda profundamente a maneira como eu enxergo isso. Porque a perda coloca diante de mim uma verdade da qual nenhum de nós consegue fugir: nós estamos aqui uma vez. O tempo não volta. E eu começo a entender que amar alguém não pode significar decidir quais riscos essa pessoa está autorizada a correr. Eu posso estar ao lado. Posso aconselhar. Posso segurar a mão quando alguma coisa doer. Posso tentar ser porto seguro. Mas não posso cortar as asas de alguém simplesmente porque eu conheço a altura da queda. É aí que “Sold Out” ganha outro significado para mim. Por trás da atitude, do pop, do flow e de toda a estética da música, existe um homem aprendendo uma das coisas mais difíceis sobre o amor: quem ama também precisa saber deixar ir. Não deixar ir no sentido de abandonar. Deixar ir no sentido de permitir. Permitir que a pessoa que você ama descubra até onde consegue chegar. 

Hoje, quando eu olho para a Gabi, eu não quero que os meus traumas determinem o tamanho dos sonhos dela. Eu quero que as minhas experiências sirvam para que, quando ela precisar, eu saiba estar ao lado dela — e não na frente dela impedindo o caminho. Se um dia vierem as críticas, nós enfrentamos. Se vierem as quedas, nós levantamos. Se o mundo tentar mudar quem ela é, eu quero estar aqui para lembrá-la de quem ela sempre foi. Porque talvez o verdadeiro amor não seja manter alguém seguro dentro do nosso mundo. Talvez seja abrir a porta, mesmo sabendo tudo o que existe lá fora, e dizer: “Vai. Vive o seu sonho. Eu estou aqui.”

É isso que “Sold Out” representa para mim. Uma música sobre liberdade, mas principalmente sobre amadurecimento. Sobre entender que nós não somos donos das pessoas que amamos. Somos testemunhas da passagem delas por esta vida. E se só temos uma passagem por aqui, eu quero ver quem eu amo viver tudo aquilo que nasceu para viver. Mesmo que exista risco. Mesmo que exista medo. Mesmo que eu não possa protegê-la de tudo. Porque um dia nós vamos embora. Mas aquilo que tivemos coragem de construir pode permanecer. E talvez seja isso que chamamos de legado.

Quais os próximos passos da carreira de cada um de vocês?

Eu acho que o nosso próximo passo é justamente entender que caminhar juntos não significa necessariamente caminhar na mesma direção o tempo inteiro. Eu e a Gabi temos sonhos, identidades e propostas artísticas diferentes, e talvez uma das coisas mais bonitas da nossa relação seja saber que não precisamos diminuir a individualidade de nenhum dos dois para continuarmos nos apoiando. Não importa para onde nossas carreiras nos levem, nós estaremos um na primeira fila do outro. “Sold Out” representa um encontro muito especial entre os nossos universos, mas não é o ponto final dessa história. Pelo contrário: existe uma esteira de singles sendo preparada para os próximos meses, e agora o público começa a descobrir com muito mais profundidade quem é Gabi Topázio e quem é Renato Mesquita individualmente.

A Gabi segue mergulhando no pop. Existe nela uma vontade muito grande de resgatar uma característica daquela era em que artistas como Britney Spears faziam cada lançamento parecer um acontecimento. Não era somente colocar uma música nas plataformas. Existiam coreografias, figurinos, videoclipes, performances e uma identidade visual tão forte que você conseguia reconhecer uma era praticamente olhando para uma fotografia. É essa sensação de “popstar” que ela quer trazer de volta. Mas não existe interesse em simplesmente reproduzir o pop dos anos 2000. A pergunta é: como seria essa energia se ela nascesse no Brasil de hoje? É aí que entram a nossa ginga, o funk, a cultura da internet e referências de artistas nacionais de uma nova geração, como Melody, que mostram como o pop brasileiro pode conversar com tendências globais sem perder a espontaneidade e a linguagem daqui. Então eu vejo a Gabi construindo algo que olha para aquela grandiosidade do pop internacional, mas que tem cada vez mais sotaque brasileiro. E comigo acontece outro movimento. Eu quero fazer música que tenha energia. Gosto muito daquela capacidade que artistas como Pitbull têm de fazer uma música começar e imediatamente criar a sensação de festa. E, olhando para o Brasil, vejo no Pedro Sampaio essa inteligência de entender a pista, a batida, o público e transformar música em movimento. Quero explorar muito esse Renato. O Renato que chega para levantar o público, fazer todo mundo cantar, dançar e transformar um show em uma grande celebração. Mas existe também um outro lado meu que eu não quero abandonar. Eu gosto de falar de amor. E tenho uma admiração enorme pela maneira como MC Marcinho conseguia colocar romantismo dentro do funk. Eram músicas populares, simples no melhor sentido da palavra, que falavam diretamente com as pessoas e viravam trilha sonora de histórias reais.

Eu quero poder lançar uma música que faça milhares de pessoas pularem e, no lançamento seguinte, contar uma história que faça alguém mandar a canção para a pessoa que ama. Talvez seja justamente aí que nossas carreiras começam a ganhar contornos ainda mais claros. Gabi quer fazer o público sentir que entrou em um espetáculo. Eu quero fazer o público sentir que entrou em uma festa — e, às vezes, dentro de uma história de amor. E em algum momento esses dois mundos naturalmente voltam a se encontrar. Porque nós não enxergamos nossas carreiras como uma competição. Quando um cresce, o outro comemora. Quando um cai, o outro ajuda a levantar. Quando existe uma conquista, ela acaba sendo um pouco dos dois, porque sabemos tudo o que aconteceu antes daquela fotografia bonita chegar às redes sociais. Hoje temos músicas prontas, outras sendo produzidas, conceitos audiovisuais sendo desenvolvidos e uma sequência de lançamentos que vai permitir que o público acompanhe essa evolução praticamente em tempo real.

E acho que “Sold Out” deixa uma pista importante sobre o que vem pela frente:

Nós não queremos escolher entre referências internacionais e brasilidade. Queremos descobrir o que acontece quando essas duas coisas se encontram. A Gabi vai fazer isso à maneira dela. Eu vou fazer à minha. E, quando nossas histórias pedirem para se cruzar novamente, vamos nos encontrar no meio do caminho. Porque os projetos podem ser individuais. Mas o apoio nunca vai ser.

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