Do balanço de Jorge Ben à suavidade de Norah Jones: conheça o universo sensorial e solar do primeiro álbum de estúdio da cantora
Nesta sexta-feira (20), comemoramos a estreia do lançamento de “manhãs sussurradas”, o álbum tão aguardado da cantora e compositora Bela. Sob o selo Alá Comunicação, o projeto apresenta 10 faixas que costuram o pop, a MPB e o indie, unindo canções inéditas a sucessos de seu EP anterior, “aurora”. O disco é fruto de uma colaboração estreita com os produtores Peu Del Rey e Teago Oliveira, refletindo a maturidade de uma artista que soube esperar o tempo certo para florescer.
Mais do que um compilado de músicas, o álbum funciona como um mosaico emocional construído entre 2021 e 2025. Bela descreve a manhã como um momento de vulnerabilidade e silêncio, uma fresta onde o inconsciente se revela. Essa atmosfera de “luz e sombra” foi lapidada em imersões criativas entre Salvador e São Paulo, bebendo de referências que vão do balanço de Jorge Ben à delicadeza de Norah Jones, resultando em uma sonoridade que evoca o frescor da maresia e o aconchego de uma sala de estar.
Ouça o novo álbum:
Para celebrar este novo ciclo, a artista transporta a essência do disco para os palcos com o show “depois da praia”. As apresentações, que já acontecem em Salvador em climas de fim de tarde, terão seu ápice no show oficial de lançamento marcado para o dia 9 de abril, no Teatro Gamboa. É o momento de consolidar a conexão entre sua identidade baiana e as narrativas universais que compõem sua obra, transformando suas perguntas sem resposta em um convite ao público.
Em entrevista exclusiva ao Sua Setlist, Bela se aprofunda nos bastidores criativos do projeto, detalhando como ressignificou letras antigas e a importância de se desapegar de versões passadas para permitir o nascimento deste álbum. Ela define a obra como um convite para habitar o vazio com calma e compartilha o cenário sensorial ideal para quem der o primeiro play: uma luz rosa de amanhecer com cheiro de mar e café.
Confira agora o bate papo na íntegra:
Você descreve a manhã como um momento em que se sente “oca” e encara o inconsciente. O álbum “manhãs sussurradas” é um convite para o ouvinte preencher esse vazio ou para aprender a habitá-lo com calma?
O álbum é um convite para despertar com calma o que já existe. Claro que cada um vai receber da sua forma e criar o próprio universo, mas vejo esse o silêncio como um convite para criar segredos e ser um amigo, ainda que possa ser difícil ou vulnerável. Assumir esse espaço é uma filosofia do disco, ainda que preencher o vazio não deixe de fazer parte da narrativa.
O disco é um mosaico de canções escritas entre 2021 e 2025. Como foi para a Bela de hoje renegociar o sentido de letras escritas há quatro anos? Alguma música mudou completamente de significado durante a produção com o Peu e o Teago?
Foi um processo. Tenho um compilado grande de músicas e tive que parar para selecionar as que ainda faziam sentido hoje. Ainda assim tivemos uma canção que mesmo depois de produzida não entrou, por questões de composição e o entendimento que eu não me identificava mais. De certa forma todas as músicas mudaram o significado, elas vão se transformando pra mim, ganhando mais camadas e vida. Já o single “manhãs sussurradas” foi escrita em 2021 e eu sempre tive muito apego pra saber quem produziria. Quando soube que Teago ia produzir, ela ressignificou e quase que ganhou vida me mostrando o caminho certo.

“Descamando” e “Simulo” encerram o disco. Existe um processo de despir-se de versões antigas ao longo dessas dez faixas? O que você sente que deixou pelo caminho para que este primeiro álbum pudesse finalmente nascer?
As faixas são sobre se despedir e se encontrar, mas não existe uma ordem para tal. Vejo como muitas histórias distribuídas ao longo do processo. Deixei muito apegos pelo caminho, apegos pessoais e profissionais. Sinto que aprendi muito com o “realizar”, fazer acontecer, entender o que funciona para mim ou não, o que é prioridade, o que posso desapegar para seguir em frente.
Você cita referências que vão de Jorge Ben a Norah Jones. Se pudéssemos fatiar o álbum, quais faixas carregam o balanço do Ben e quais trazem o silêncio e a delicadeza da Norah?
Essas são referências que ouço muito, mas não pensamos em artistas específicos para criar o disco. Ainda assim, acho que músicas como “toques leves”, “manhãs sussurradas” podem ressoar mais como Jorge Ben, e outras como “o risco”, “aurora”, “tanta decepção” podem captar algo da suavidade de Norah.
Se “manhãs sussurradas” fosse um roteiro sensorial para quem vai dar o primeiro play na sexta-feira, qual seria o cenário, o cheiro e a luz ideal para mergulhar nessa obra pela primeira vez?
Seria numa luz rosa com o sol nascendo, com cheiro de maresia (ao longo do disco chega o café), e uma sala com um sofá aconchegante para sentar e receber canções com entrega.

O quão especial é para ti, finalmente poder ver esse álbum lançado em todas as plataformas digitais?
Especial nível de outro mundo. Não fingirei costume pois nunca imaginei que conseguiria fazer isso, desde barreiras da timidez, passando por momentos sozinha entendendo que só eu poderia fazer acontecer, até os tantos aliados que encontrei no caminho. É muito feliz.
E para terminar: qual seria #SuaSetlist perfeita dos últimos dias?
“Shashin-ka” – Teago oliveira
“Suzanne” – Raye
“Existe uma voz” – rogê
“Caso Sério” – Rita Lee
“So Easy” – olivia dean
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