Entrevista | LOUISE abre caminhos próprios em sua estreia solo com “Insônia”

A pernambucana LOUISE inaugura um novo capítulo de sua trajetória com “Insônia”, faixa que combina R&B e trip-hop e revela uma artista mais livre, intuitiva e fiel ao próprio impulso criativo. Cantora, compositora e atriz, ela apresenta um trabalho de atmosfera noturna e sensorial, que marca o primeiro passo do EP “Notívaga”, previsto para 2026.

Nascida de uma sessão espontânea ao lado do cantor e produtor Barro, “Insônia” traduz um processo artístico que mistura improviso, experimentação e um mergulho interior. A canção acompanha uma personagem tomada pela paixão e pela falta de sono, navegando entre ficção e sentimentos universais, um espelho dos novos caminhos que LOUISE começa a percorrer.

Filha de Chico Science e criada no coração da cena cultural recifense, LOUISE já integrou projetos como Afrobombas, Coisinha e Manguefonia, além de colaborar com artistas da própria região. Agora, ela se afirma com uma sonoridade que dialoga com referências como Erykah Badu, Portishead, Selena e PJ Harvey, abrindo espaço para uma estética própria e visceral.

Foto: João Alencar

“Insônia” simboliza uma virada de chave emocional e artística, marcando um momento em que LOUISE finalmente encontra liberdade para criar sem amarras e seguir seu próprio ritmo.

Em entrevista exclusiva, LOUISE fala sobre o impulso interno que guiou essa nova fase, o processo criativo intuitivo ao lado de Barro, a construção ficcional por trás de “Insônia”, as referências que moldam o EP “Notívaga” e como a volta ao Recife resgatou sua liberdade artística e emocional.

Confira a entrevista:

“Insônia” marca o início de uma nova fase. O que mudou internamente para que você decidisse assumir esse protagonismo agora?

Eu passei muito tempo com medo. Do peso do nome do meu pai, de não corresponder às expectativas de quem já me via cantar…Agora me sinto segura pra fazer o que eu quiser sem me preocupar com isso. Encontrei pessoas que sintonizam com a minha frequência de trabalho e tô muito feliz com o que comecei a construir.

Você mencionou que a música nasceu de forma intuitiva no estúdio. Como foi essa troca criativa com Barro e o que mais te surpreendeu no processo?

A gente troca muita ideia sobre as referências de ambos. Tiramos uma tarde pra compor e acabamos escolhendo uma base mais R&B como ponto de partida, uma parte da letra foi de improviso e o resto terminei em casa. Não sou muito boa em compor na improvisação, foi o que mais me surpreendeu. Era uma crença limitante que eu tinha, eu acho.

Foto: João Alencar

A faixa traz uma personagem tomada pela paixão e pela falta de sono. O quanto dessa emoção é ficção e o quanto é reflexo da sua própria vivência?

Tudo na letra é ficção. Só a parte que ela não dorme antes das três por causa da insônia é verdade. Funciono muito mais à noite, meus picos de criatividade são sempre no começo da madrugada. Eu adoro criar cenários e histórias fictícias pras minhas músicas. Às vezes elas só fazem referência a algum momento específico da minha vida, mas a situação descrita na letra quase nunca vai ter a ver com experiências pessoais.

Suas referências vão de Erykah Badu a Portishead, passando pela energia dos anos 90. Como essas influências aparecem na estética sonora do EP “Notívaga”?

Eu considero os anos 90 uma década muito diversa e inventiva em todos os setores da arte. No mundo todo. Sou uma criança da época e sempre quis imprimir algo dela no meu trabalho. Trago um pouco de algumas referências sonoras em cada uma das músicas do EP. Selena Quintanilla e PJ Harvey são algumas delas.

Crescer em um ambiente artístico tão efervescente certamente te moldou. De que forma suas raízes no Recife e a memória afetiva do manguebeat atravessam essa nova fase?

A memória afetiva do manguebeat não faz parte dessa minha nova fase. Recife é minha casa, é onde eu me conecto e reconecto comigo. Passei 9 anos morando em São Paulo, e apesar da cidade me apresentar muita coisa massa eu me sentia bloqueada criativamente. E foi quando eu mais senti aquele medo que citei na primeira pergunta. Voltei pra Recife e retomei um equilíbrio mental que precisava pra me libertar e construir minha própria história.

E para terminar: qual seria #SuaSetlist perfeita dos últimos dias?

Todas as músicas do álbum LUX de Rosalía. Não canso de ouvir.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *