Em ascensão crescente, Sofia Brasil celebra o impacto imediato de “Casa, beija ou mata”. Em pouco tempo, o single ultrapassou 180 mil plays no Spotify, somou mais de 300 mil streams nas plataformas digitais e alcançou mais de 300 mil visualizações em seu lyric vídeo no YouTube. Nas redes, o sucesso se tornou ainda mais evidente: vídeos no TikTok ultrapassaram um e até três milhões de views, enquanto o áudio entrou em alta no Instagram. Para Sofia, cada número vem acompanhado de muito afeto: “Cada play e cada mensagem significam muito pra mim”.
Integrando o projeto “Sô Frágil”, a faixa reflete a mistura envolvente de ritmos populares com uma estética leve e dançante. Por trás da batida, Sofia entrega emoção, intensidade e referências que fazem parte de sua história, especialmente sua conexão com a cultura musical do Norte, inspirada pela família de Manaus e pelas viagens à região. “É bonito ver essa energia chegando nas pessoas do mesmo jeito que eu senti quando criei”, afirma.
Agora, vivendo uma fase de consolidação e novas descobertas, Sofia reforça seu lugar entre as novas vozes da música popular brasileira. Em entrevista, ela fala sobre o sucesso do single, suas referências, sua relação com a vulnerabilidade e os próximos passos de sua jornada artística.

Confira o bate papo:
“Casa, beija ou mata” ultrapassou centenas de milhares de reproduções em poucas semanas. Como tem sido acompanhar esse crescimento tão rápido e o carinho do público nas redes?
Tem sido incrível acompanhar tudo isso, principalmente porque apostamos em um ritmo um pouco diferente do que eu vinha mostrando antes. Sempre que a gente muda algo, bate aquele frio na barriga sobre como as pessoas vão receber, né? Então ver essa repercussão tão rápida e sentir tanto carinho do público tem sido uma felicidade enorme.
Tenho um carinho gigantesco por essa música, e acho que parte desse sucesso vem justamente dessa identificação. No final, todo mundo já viveu alguma situação parecida em um relacionamento — essas pequenas chatices que fazem parte do amor.
A faixa mistura ritmos populares com uma pegada dançante e cheia de emoção. Como nasceu essa música, tanto a ideia da letra quanto o som que a acompanha?
A música nasceu num dia em que eu estava relembrando alguns relacionamentos do passado. E percebi que, mesmo quando uma relação termina bem, sempre ficam na memória aquelas coisinhas pequenas do dia a dia que irritavam a gente como casal. É muito doido porque todo mundo passa por isso, né? São bobagens que parecem simples, mas que no convívio acabam ganhando um peso enorme. Mesmo amando e tendo um carinho gigante pela pessoa, tem horas que não tem jeito… você só quer discutir por causa de algo bobo.
Foi dessa mistura de lembrança, humor e verdade que a letra e o clima da música nasceram. E, musicalmente, eu queria que isso virasse algo leve e dançante — aquela faixa que você pode sofrer, dançar e gritar a letra ao mesmo tempo. É emoção e diversão caminhando juntas como um relacionamento.
Você comentou que quis trazer referências do Norte, que fazem parte da sua história e da sua família. Pode contar um pouco mais sobre essas influências e como elas aparecem no seu som?
Meu pai e toda a família do lado dele cresceram em Manaus, então, mesmo eu tendo nascido em São Paulo, sempre cresci ouvindo muitas histórias desse período da vida deles. Com o tempo, tive a chance de conhecer não só o Amazonas, mas também o Pará, e foi aí que comecei a me aprofundar de verdade nos ritmos e na cultura musical do Norte. Passei a escutar mais tecno melody, tecno brega, guitarradas… e simplesmente me apaixonei.
Desde então, sempre tive vontade de trazer essas referências para o meu som — não só porque fazem parte da minha história familiar, mas também como uma forma de admiração e respeito pela cultura nortista, que é tão rica, tão viva e tão única. É muito especial conseguir colocar um pedacinho disso dentro da minha música.
O termo “Brega chique”, batizado por Tierry, define bem essa mistura de estilos que marca sua identidade musical. Como você vê o seu papel nessa nova cena da música popular brasileira?
Eu não diria que tenho um “papel” definido dentro da cena, porque acho que a música popular brasileira é muito maior do que qualquer artista individual. Mas o que eu tento fazer todos os dias é representar, do meu jeito, essa mistura que o Brasil é — essa imensidão de influências, ritmos, culturas e histórias que convivem aqui.
Se o “brega chique”, como o Tierry brincou, me define de alguma forma, é porque ele abraça exatamente isso: o carinho pelo popular, pela emoção, pela dança, mas com um toque meu, com as minhas referências e com a minha verdade. Eu espero conseguir transitar por diferentes lugares, realidades e estilos, me conectar com artistas diversos e com pessoas que, assim como eu, são naturalmente ecléticas. Hoje em dia todo mundo ouve de tudo, e eu quero que minha música tenha essa liberdade também — de chegar em mais gente, de unir diferentes mundos, sem perder o que eu sou.
Você começou a cantar muito jovem e até dividiu o palco com o Seu Jorge aos 12 anos. Que lembranças e aprendizados dessa experiência você carrega até hoje?
Acho que o maior aprendizado daquele dia foi entender a importância de enfrentar o medo e abraçar as oportunidades que aparecem, mesmo quando a gente não se sente totalmente preparada. No show, eu jamais imaginei que seria reconhecida pelo Seu Jorge na plateia, muito menos que ele me chamaria para subir ao palco. Eu era pequenininha, tinha só 12 anos, e podia muito bem ter travado de vergonha ou deixado a chance passar. Mas, mesmo tremendo por dentro, eu fui.
Cantar diante do meu primeiro grande público e ao lado de um ícone, que é referência pra mim e para o Brasil inteiro, foi uma das maiores honras da minha vida — e uma aula. Meu pai sempre repetiu uma frase: “a sorte favorece os audazes”. E aquele momento foi exatamente isso.
Também acredito muito que, às vezes, um gesto ou uma palavra de alguém muda completamente o nosso caminho. O Seu Jorge provavelmente nem imagina, mas aquele convite me deu força, confiança e a sensação de que eu podia continuar. Foi um dos acontecimentos que mais marcaram minha trajetória, e com certeza faz parte do motivo de eu estar onde estou hoje.

Seu primeiro EP, “Sô Forte”, fala sobre força, superação e atitude — já o novo projeto, “Sô Frágil”, parece explorar o outro lado das emoções. Qual é o fio que conecta esses dois universos?
Eu acredito que nós, seres humanos, somos incríveis justamente porque somos um monte de emoções ao mesmo tempo — intensos, contraditórios, fortes e frágeis, tudo junto. Eu mesma sou muito intensa, mas também muito racional, e acho que esses dois mundos convivem dentro de mim o tempo inteiro. Nos projetos “Sô Forte” e “Sô Frágil”, eu acabo trazendo esses contrastes, esses mil desabafos que fazem parte de quem eu sou.
Na composição, os dois trabalhos se conectam porque, no fim, todas as minhas músicas nascem desse lugar de desabafo — sempre com um toque de humor, de leveza, de não me levar tão a sério. Mesmo quando falo de força e confiança, ou quando entro em situações mais vulneráveis e complicadas, eu tento olhar para tudo com verdade, mas também com um sorriso. Acho que esse equilíbrio é o fio que costura esses dois universos.
Com o sucesso crescente e uma sonoridade tão autêntica, quais são os próximos passos da Sofia Brasil? Podemos esperar novos clipes, parcerias ou talvez um álbum completo em breve?
Sim, muitas novidades estão vindo aí! No EP Sô Frágil tem um feat super especial com um cantor e compositor que eu admiro demais, e é uma honra ter essa colaboração. Além disso, estou me preparando para muitos shows e também para alguns projetos bem diferentes, que me colocam não só como cantora, mas também como comunicadora — algo que tenho adorado explorar.
E, como eu não me aguento, já tem várias músicas novas sendo produzidas. Quero entregar muito para vocês nos próximos meses, seja em clipes, parcerias ou quem sabe até um projeto maior lá na frente.
E qual seria #SuaSetlist perfeita dos últimos dias?
Olha, a minha setlist dos últimos dias está a prova de que eu sou eclética mesmo! Não saiu do meu fone “O Carpinteiro”, do Ronnie Von, aí do nada eu já emendava com “Solo de Craque”, do Aldo Sena, e entrava em “Na Maldade”, da Simone Morena. Também fiquei viciada em “Mentira Estampada”, do Wesley Safadão com o Nattan, e finalizei com “Quatro Semanas de Amor”, da Lauana Prado. Uma verdadeira bagunça organizada — mas é exatamente do jeitinho que eu gosto.
