“Não sei o que sentir sobre você” inaugura o universo visual e sonoro do primeiro álbum da artista, que em um papo sincero, conta os bastidores do single e como a estética espacial ajudou a traduzir o fim de um relacionamento
O vácuo deixado por um término e a confusão de sentimentos que restam são os pilares de “não sei o que sentir sobre você”, novo single de Breezia que inaugura o universo de seu primeiro futuro álbum. A faixa aposta em um contraste marcante: de um lado, camadas etéreas e sintetizadores sensíveis; do outro, explosões de caos e distorção. Essa dualidade não é por acaso, ela busca traduzir a melancolia de máquinas tentando soar orgânicas, como se elementos analógicos e digitais buscassem uma conexão falha, inspirada na comunicação entre astronautas e a Terra.
Mais do que uma canção de desamor, o lançamento funciona como a porta de entrada para um planeta solitário criado pela artista, onde o “luto por alguém que não morreu” é explorado sem filtros. A sonoridade, desenvolvida em parceria com o produtor Lucas Marmitt, utiliza o minimalismo para dar espaço à voz de Breezia, que narra de forma literal as memórias de um encontro específico. É um trabalho que não tenta suavizar a dor, mas sim materializar a atmosfera de dúvida e o peso emocional que guiarão toda a narrativa visual e sonora do disco de estreia.
Em entrevista exclusiva, Breezia conta que ver esse trabalho finalmente estrear é como ver um segredo seu ganhar o mundo. Ela revela detalhes da sintonia criativa com Marmitt, explica como a estética retrô futurista influenciada por David Bowie molda sua identidade e reflete sobre a importância de validar as incertezas internas. Para a artista, a música é o refúgio perfeito para quem se perde nos pensamentos de “e se”, servindo como um abraço para aqueles que ainda não sabem que nome dar ao que sentem.
Confira o bate papo:
Depois de uma grande espera, finalmente “não sei o que sentir sobre você” está disponível para o público. Conta um pouco sobre como vem sendo a sensação de ver este trabalho finalizado e estreando uma nova era da sua carreira?
É uma felicidade ver que essa faixa não é mais um segredo meu! Eu sonhei com o dia que poderia saber as reações das pessoas sobre ela, e é exatamente como eu imaginei! Além do fato de que finalmente anunciei meu álbum, então existem muitas coisas legais acontecendo simultaneamente!
Ouça agora o novo single:
A faixa traz um contraste interessante entre camadas etéreas e distorção caótica. Como foi o trabalho com o Lucas Marmitt para encontrar o equilíbrio entre o “minimalismo” e o “caos”?
Sinto que, artisticamente falando, a mente do Marmitt é uma extensão da minha. Ele entende exatamente o que eu quero passar sem nem me consultar, chegamos em um lugar muito irreal de conexão artística. É muito raro encontrar isso, especialmente quando é pra contar histórias que são muito íntimas sobre mim, e honrar elas. Tenho sorte de trabalhar com ele.
A produção buscou criar uma comunicação com interferência falha. Quais referências sonoras vocês usaram para construir essa atmosfera de “outro planeta”?
R: Eu diria que, pra mim, o mais próximo foi o Bowie. Mas não sei se tivemos referências diretas, foram mais ideias do que a gente gostaria de retratar, aquela experiência de tentar uma conexão extraterrestre, tipo aqueles contatos que a NASA tem com os astronautas quando eles saem da Terra. Um pouco de muita coisa, mas nada diretamente!
Sendo este o marco inicial do álbum, a paleta sonora apresentada aqui se repetirá em todo o disco ou cada faixa explorará uma textura diferente desse universo?
Elas conversam entre si e se encontram em vários momentos, mas todas são bem diferentes umas das outras. O álbum tem momentos de conformidade, de raiva, de negação, as fases do luto mesmo. Em um conjunto, fica tudo muito coeso, mas nunca maçante.

Se você pudesse escolher o momento perfeito para alguém ouvir “não sei o que sentir sobre você”, qual seria?
Naqueles momentos onde você fica pensando no que teria mudado se você tivesse respondido algo diferente, ou feito algo que não fez na hora. Quando os “e se” tomarem conta da sua cabeça, dê o play em não sei o que sentir sobre você!
E para finalizar sempre deixamos essa perguntinha: qual a #SuaSetlist favorita do momento? O que você mais tem escutado?
Ouvi muito o álbum “Miss Simpatia” do Number Teddie, que é um artista que amo muito. Sufjan Stevens sempre toca em qualquer um dos meus humores, é inevitável! E “Beach House” também! Amo o álbum Bloom.
Assista também ao visualizer do recente single:
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