Entrevista | Tio Sam abre o coração sobre sua estreia musical, hino do hexa e o futuro primeiro álbum da carreira

A paixão avassaladora do brasileiro pelo futebol ganhou uma nova trilha sonora com o lançamento de “Dale Olê”, o single de estreia oficial do cantor, compositor e multi-instrumentista carioca Tio Sam. A faixa, que já está disponível em todas as plataformas digitais, foi criada em parceria com Guilherme França com o propósito claro de se tornar um hino de união e motivação para a torcida rumo ao sonho do Hexa. Unindo a grandiosa produção de Hollywood ao suingue genuíno do cavaquinho de PC Macabu, o artista usa sua experiência de viver no exterior para criar uma ponte cultural que mistura o swing afro-brasileiro ao groove americano, transformando o orgulho nacional em um grito de guerra universal.

Este primeiro single é o cartão de visitas para um projeto ainda maior: um álbum completo que será lançado no segundo semestre deste ano. Formado em História pela PUC-Rio e criado no subúrbio carioca, Tio Sam iniciou sua trajetória na música logo na infância, aos 6 anos de idade, por influência de seu pai. Hoje, residindo nos Estados Unidos, o músico canaliza a saudade de casa e sua bagagem cultural para construir um trabalho autêntico, que foge de estereótipos para gringo ver e foca em traduzir a real essência, a resiliência e a sofisticação da musicalidade brasileira.

Nesta entrevista, o artista revela que seu próximo disco nascido da saudade trará uma rica mistura de samba rock, soul, rap, MPB e influências internacionais, indo muito além do tema esportivo para mostrar facetas românticas, sociais e introspectivas. Ao avaliar o planejamento feito no exterior, ele destaca a importância de manter a autenticidade sem se apagar pelas influências americanas, celebrando parcerias que somam às suas raízes. 

Por fim, Tio Sam confessa a emoção e o frio na barriga de lançar suas primeiras composições autorais, adianta os planos de levar aos palcos do Brasil e dos EUA um show caloroso no estilo de um “bloco moderno”, e conta que sua playlist recente – repleta de nomes como Jorge Ben Jor e Tim Maia – tem servido como inspiração para entender como criar músicas que emocionem de verdade e durem no tempo.

Confira o bate papo completo:

“Dale Olê” marca sua estreia oficial na música e abre caminhos para um álbum completo que virá no segundo semestre. O que você já pode adiantar sobre o conceito desse disco e como ele se conecta com o orgulho de ser brasileiro?

Esse disco nasce muito da saudade e da perspectiva de quem saiu do Brasil, mas continua carregando o país dentro de si. Morando fora, eu comecei a enxergar ainda mais o valor da nossa cultura, da nossa musicalidade, da forma como o brasileiro transforma dificuldade em alegria, ritmo e encontro. O álbum fala muito disso. Vai ter samba rock, soul, rap, groove carioca, MPB e influência afro-brasileira. Não quero fazer um Brasil estereotipado pra gringo consumir. Quero mostrar o Brasil real que eu vivi. O subúrbio, a rua, o calor humano, a espiritualidade, a resiliência e também a sofisticação musical que existe na nossa cultura.

Iniciar uma carreira com um single temático de futebol e Copa do Mundo é um passo muito forte. A energia festiva e grandiosa dessa faixa vai ditar o ritmo de todo o restante do álbum ou teremos outras facetas do Tio Sam?

“Dale Olê” representa muito a energia coletiva, a festa e o espírito brasileiro, mas o álbum não vai parar aí. Acho que seria um erro me limitar só ao tema futebol porque eu sou mais complexo musicalmente do que isso. Tem músicas mais introspectivas, algumas românticas, outras muito sociais e urbanas também. O futebol foi a porta de entrada porque ele une o Brasil inteiro e conversa com o mundo. Mas o álbum vai mostrar várias camadas minhas como artista e como ser humano.

Como está sendo o planejamento desse álbum morando fora do Brasil? Você pretende trazer mais colaborações e misturas internacionais para as próximas faixas?

Com certeza. Morar nos Estados Unidos me colocou em contato com músicos de várias partes do mundo e isso influencia naturalmente a sonoridade. Mas eu também tomo cuidado pra não perder minha identidade tentando “internacionalizar” demais a música. Tem muito artista brasileiro hoje tentando soar americano e esquecendo que justamente o que o mundo quer da gente é autenticidade. Então as colaborações vêm para somar, não para apagar minhas raízes. Quero misturar groove americano com alma brasileira. Essa é a essência do projeto.

Sendo esse o seu primeiro single oficial, como está o seu coração vendo a recepção do público com o pontapé inicial da sua carreira?

Sinceramente, é emocionante e assustador ao mesmo tempo. Porque lançar música autoral é se expor de verdade. Não é mais cantar clássico dos outros. É mostrar quem você é. E quando eu vejo as pessoas cantando o refrão, repostando, mandando mensagem falando que sentiram orgulho do Brasil ouvindo a música, eu percebo que a arte encontrou seu caminho. Isso dá força pra continuar. Ainda estou no começo, aprendendo muita coisa, mas estou vivendo esse momento com gratidão.

Depois do lançamento desse hino para a torcida, quais são os seus planos para levar o seu show e a energia do álbum para os palcos, tanto no Brasil quanto no exterior?

Meu objetivo é construir um show muito vivo, muito quente, quase como um bloco moderno misturado com groove e banda de soul. Quero que as pessoas saiam do show sentindo energia e pertencimento. Já estamos organizando apresentações nos Estados Unidos e eu quero muito levar esse projeto pro Brasil também, principalmente pro Rio de Janeiro, porque minha identidade nasceu ali. Acho importante ocupar palco com música brasileira feita por brasileiro que vive fora, mas sem perder a verdade da origem.

E para finalizar, qual vem sendo #SuaSetlist favorita dos últimos dias?

Tenho ouvido muito Jorge Ben Jor, Tim Maia, Seu Jorge, Natiruts e também coisas mais modernas misturadas com soul e hip hop americano. Mas vou falar uma verdade: ultimamente minha playlist tem sido muito mais inspiração do que entretenimento. Estou ouvindo música tentando entender como emocionar pessoas de forma verdadeira. Acho que é isso que diferencia música que dura de música descartável.

O que achou desta entrevista? Conheça também as histórias de outros artistas e aproveite para seguir o Sua Setlist no Instagram!

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